Atendimento Fraterno
O texto abaixo foi retirado do livro Atendimento Fraterno (Projeto Manoel Philomeno de Miranda). Este livro é dirigido especificamente a espíritas que estejam trabalhando neste nobre setor de atendimento às pessoas que procuram o Centro espirita atrás de uma orientação, uma ajuda. Como trata-se de tarefa que deve ser exercida por todos todo o tempo, resolvi selecionar este texto que achei muito importante.
Penso que todos devemos ter estas orientações em mente para através de um diálogo fraterno, podermos ajudar nosso semelhante, a começar pelos familiares.
Como diz o livro, quem já não se valeu dos conselhos de amigos, familiares e até professores, para resolver alguns conflitos em sua vida?
Que seria de nós se não estivessemos constantemente nos amparando mutuamente?
Mas leia então o texto, é muito bom, vale a pena.
“Todo aquele que está fraquejando emocionalmente, fixa em demasia os seus conflitos, gerando uma psicosfera de autocompaixão. A autocompaixão é um dano tão grande quanto a indiferença de sentimentos, porque na autocomiseração o indivíduo somente vê a sua desgraça e não a contribuição dos valores que estão ao seu alcance, aguardando-o. Na área da Psicologia, fala-se que há uma tendência muito maior de conservar a tristeza do que a alegria, a dor ao invés do bem-estar. É um comportamento masoquista. As nossas alegrias são muito rápidas e as nossas tristezas muito demoradas, porque nós gostamos mais da tristeza. As nossas alegrias parecem que nao nos saciam e queremos mais. Determinada coisa de impacto ou de felicidade, algumas horas depois, já não nos preenche tão plenamente. Mas, uma contrariedade um insucesso, marca-nos tão profundamente que ficamos a repeti-lo mentalmente, o que faz que se imprima cada vez mais em nosso inconsciente profundo. Quando passarmos a coletar as alegrias e a não dar valor aos desconfortos, as vicissitudes, enfrentaremos os problemas com mais naturalidade. Achamos, porém, que vida feliz é a daquele que tem dinheiro, que vive o prazer. Isto, no entanto é uma vida sensualista, no sentido de gozo incessante. Na hora em que compreendermos que gozo não é felicidade e que prazer é uma questão que diz respeito às sensações, sendo felicidade aquilo que afeta as emoções profundas, encararemos as vicissitudes como acidentes de percurso, porque a nossa meta é a plenitude.
Marcam-nos mais a tragédia, o sofrimento, do que a felicidade e a harmonia. Observe-se que o indivíduo, portador de uma vida extraordinariamente correta, ao cometer um erro, isso é o que passa a ressaltar nele a partir daí. Um grande cantor, como Pavarotti ou outros, amados no mundo inteiro, se um dia, num concerto, criaturas humanas que são, tiverem qualquer distúrbio de voz, um erro de compasso, a nota não alcançada, perdem todo o valor, como se eles fossem robôs sem direito de se permitirem fragilidades. Assim, também, todos somos medidos, não pelas nossas virtudes, mas pelos nossos erros.
A imprensa, a mídia, vive disso, porque raramente se apóia nas ocorrências felizes, sustentando-se com a divulgação das questões que corrompem o coração.
Temos que dizer à pessoa: — Você está no limiar, o que é bom, porque ainda não caiu. Você se encontra no mínimo das suas reservas, o que é muito bom sinal, ainda tem reservas; considere aquele que já tombou...
Joanna de Angelis sempre me diz: — Quando vires alguém com os pés sujos de lama, não acuse o descuidado, pois que ele acaba de sair do pântano. Preocupa-te com aqueles que têm os pés limpos, correndo o perigo de se adentrarem nele e enfrentarem dificuldades para sair.
Então, digamos a essa pessoa: — Você está quase entrando no pântano. Está na hora de recuar.
Caso a pessoa retruque: — “Ah, mas eu não tenho forças” — nós lhe diremos: — se as não tivesse não estaria aqui, e a prova de que você tem forças é o desejo que demonstra de continuar caminhando. Já orou? — o que é diferente de rezar — Já se abriu a Deus? Diga-lhe: “Agora, meu Pai, conto com a tua parte”.
Particularmente, procuro fazer o que me é possível para me desincumbir das tarefas. Chega o momento em que eu digo: — Agora, meu Senhor, é com o Senhor, porque a minha parte já fiz; e tiro da cabeça o problema. Se Ele não o resolver, é porque não deveria ser resolvido. Não vejo motivo para me amargurar. Lembro-me do Abade Pierre — o que fundou as Comunidades de Emaús — que elegeu o seguinte “slogan”: “Eu sempre pensava, nas horas de perigo e de problemas, que chamando por Deus e Ele ouvindo, ia chegar cinco minutos depois da tragédia. Mas sempre que passava o desafio, me dava conta de que Deus chegava, pontualmente, cinco minutos antes”.
Digamos a essa pessoa: — Chame por Deus! Vá para a casa pensando que tudo vai dar certo, e, se não der de imediato, continue pensando que irá acontecer, porque sempre há uma nova oportunidade.
Certa feita, atendi uma paciente que me disse: — Senhor Divaldo, a pior coisa que me poderia acontecer era morrer, e eu acho que vou morrer!
Respondi-lhe: — Aleluia! Felicidade para você. Imagine se você fosse eterna nesse corpo... Claro que você vai morrer, vai se libertar desse corpo, qual ocorrerá comigo e com todos. É a melhor coisa que lhe vai acontecer. Agora, a pior coisa que nos pode acontecer é matar alguém, porque é crime. Mas, você morrer, é perfeitamente normal.
A pessoa redarguiu: — Sabe que eu não tinha pensado nisso?
E concluí: — Está na hora de começar a pensar”.
Divaldo Franco